terça-feira, 8 de março de 2016

Crise dos 27

Crise dos 27 anos (da Magna Carta de 88)



Apesar de ter iniciado os meus vinte e sete anos nessa existência há uns sete meses atrás aproximadamente, foram há exatos vinte e dois dias que desencadeou se. Tudo começou com a verbalização de apenas três palavras. Essas três palavras provocaram vinte e sete anos de pensamentos, emoções e atitudes passadas, juntamente com seus ecos presentes e futuros.

Cada ideologia, seja revolucionária ou retrógada, cada pessoa, seja popular ou marginalizada, cada lugar, em que estive presente ou ausente. Tudo se materializou de forma triangular. A ponta de cima estava conectada à minha mente, a da esquerda ao meu corpo e a da direita a minha alma, respectivamente.

Uma pirâmide gigante formou se a partir da conexão de centenas de outros triângulos menores. Cada qual com suas histórias, lutas e glórias. Eram ideologias humanas, políticas, tolas e sábias, representadas cada qual por seus anjos e demônios. Expressavam se em ideias que conhecia e desconhecia.

Em português (“Lula é levado por meio de condução coercitiva para depor na Polícia Federal”), inglês (“it is better to live one day as a lion than 100 years as a sheep”), em ‘juridiquês´’ (“são os poderes da União, independentes entre si, no entanto harmoniosos, o Legislativo, O executivo e o Judiciário.”), de cozinha (“cadê a porra da merenda!?”), de produção (“caralho como faço esse evento dentro desse orçamento? Fudeu!”), de xadrez (“xeque...”), de pôquer (“blefe”), entre outras.

Tudo se comunicava comigo, em conjunto e em encontros isolados. Em clichês conservadores e progressistas, cores vermelhas e azuis, músicas do lobão e do caetano. No limite do consciente e inconsciente (sendo a vida desperta e os sonhos lúcidos).

Cada parte desse processo, cada qual, provocou uma emoção. Do amor ao ódio, da coragem à covardia e da alegria à tristeza. Cada emoção se apresentava juntamente com um interlocutor sendo alguém conhecido, respeitável ou odiável.

Discursavam, eram verdadeiros e falsos, eram anjos e demônios.

E tudo continuou se apresentando nessa dualidade e dentro da estrutura triangular. O grande triângulo, que imagino ser os vinte e sete anos da Constituição Federal Brasileira de 1988, conectou se a outros grandes triângulos que eram modelos menos humanos  (passado) e modelos ainda mais humanos (futuro) e ainda todos os outros caminhos que não tomamos ( vide o Gato de Schrödinger), por sorte ou azar. Esse “prisma” cósmico, penetrou minha identidade brasileira de forma indelével, dilacerando tudo que fomos, somos e podemos ser em outros tantos triângulos menores e todos se relacionavam.

Cada parte desse processo caminhou ao meu lado e através. Alimentou se junto e de mim. Acordou e sonhou comigo.

Tudo isso rolando e eu ainda precisava ir trabalhar pela manhã, dar bom dia e ser um bom cidadão.
Essa “bomba atômica” tomou nosso ser - acredito que SOMOS UM. Tudo que fomos, somos e podemos ser expostos, em três vertentes, dialogando com cada parte da minha mente, corpo e espírito. Materializados em triângulos infinitos de toda sorte de cores, sons e sabores.

A noite cai em Embu Terra das Artes e a escuridão traz novos triângulos, esses corrompidos por quadrados. Um quarto poder!

- Que merda de mídia!                                                

- Será que sempre agirão assim? A Globo? Os istas? Os ismos? Será que vamos viver/morrer assim?

Tive certeza de que íamos, que íamos seguir os caminhos deles, e um “tsunami” de pensamentos dominavam minha mente:

- “ Não. Deixa essa merda prá lá! Anula seu voto e desencana de debater ”
- “ Não. Não posso ceder à essas forças malignas! ”
-“ Sim! Não desista! Se envolva e lute se preciso. ”

Essas e outras tantas ideias de cada parte desse processo, juntamente com sua materialização em triângulos, corrompidos por quadrados, cada qual conectado, de forma deturpada, à cada expressão do jeitinho brasileiro.

De cada acerto, de cada erro, de cada terra mal distribuída, de cada preconceito, de cada carnaval, de cada partida de futebol, de cada ato machista, de cada crença, de cada ilusão, criação, de cada morte e vida que propiciamos em terras tupiniquins. Reflexões inexoráveis nesse atual momento.

Todos os fins, meios e começos. Com suas dores e sabores.

Droga! Eu ainda tenho que acordar amanhã cedo, ir trabalhar, dar bom dia e ser um bom eleitor.

As pessoas e entidades que dialogavam comigo, trouxeram à tona, com todo seu poder, nossos vícios, “pecados” e “bênçãos” que havíamos consumido/consumado. Me encontravam nas timelines alheias, na TV, na conversa de boteco, no ponto de ônibus, na cama, à mesa...
Merda! Eu ainda tenho que acordar amanhã cedo, ir trabalhar, dar bom dia e ser um cara produtivo.

No vigésimo segundo dia - se é que é possível dividir o tempo dessa forma, Einstein mesmo descontrói essa ideia com a teoria da relatividade do tempo e espaço – troquei umas palavras com uma das entidades que se manifestavam. Era uma negra. Nua e linda, como a noite.

Dessa troca pude entender que realmente somos um povo heroico, mas que apenas com igualdade poderemos gozar no futuro, em raios fúlgidos, o sol da liberdade.

Que o futuro pode ser um sonho intenso, de amor e esperança, mas apenas se formos gigantes por natureza.

Que de amor eterno possamos viver, desde que não fujamos à luta e tão pouco temermos a própria morte.

Ainda estamos aqui.

SOMOS UM.

Em crise.



Escrito por Estevão Martins. (06/03/2016)



Nenhum comentário:

Postar um comentário