quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Exposição da Frida Kahlo





Meu professor de grego costumava dizer que os gramáticos são índios e explicitava perguntando: quando adentramos numa florestas quantos índios temos? Um apenas. Segundo ele, os índios costumam pisar um na pegada do outro. E completava, pois bem, assim são os gramáticos. 
Penso que podemos fazer a mesma analogia com a montagem e curadoria da maioria das exposições de arte: uma grande repetição. 
Aproveitando o período de férias, a cidade menos cheia, o agradável tempo cinzento, chuvoso e menos quente me aventurei ir ao Instituto Tomie Ohtake para ver a exposição de Frida Kahlo. Frida vale sempre a pena, nem que seja para observar um único trabalho. Todavia, não gostei do que encontrei. Não pelo conteúdo, é claro. Felizmente, não paguei por que hoje é terça-feira.
Seria mais interessante e proveitosa uma montagem com menos obras, quem sabe uma única obra da pintora, que ganharia significância pela ambientação, contextualização e montagem bem cuidada do que a cansativa conexão entre mulheres surrealistas no México e o trabalho de Frida. Porém, de uns tempos para cá, na maioria dos museus, todas as montagens são iguais. Estamos nas florestas seguindo índios. Ou seja, o modelo é sempre o mesmo: algum quadro significativo e uma porção de amigos preenchendo espaço expositivo e dispostos da mesma forma. Em algum momento a fórmula pode ter sido um recurso inteligente e inventivo realizando este diálogo entre artistas, amigos, períodos e/ou localidades, sobretudo como recurso didático ou quem sabe para suprir a faltar dinheiro para trazer obras melhores do artista apresentado. Porém, ultimamente é só o que encontramos por aí. E, com a Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México não foi diferente. E o folder da exposição ainda sobrevaloriza o modelo e o árduo trabalho da curadoria que se debruçou em meses de estudo para fazer o que sempre fazem... Bla bla bla... Gostei dos tapumes/biombos verdes que harmonizaram bem com as molduras e as cores de alguns expressivos quadros da artista. As roupas me espantaram pela excelente conservação, mas penso que mereceriam mais destaque e cuidado na apresentação, quiçá uma sala especial. No mais, numa deliciosa tarde chuvosa, segui pela floresta sem conseguir contar os índios...

A exposição Frida Kahlo- Conexões entre Mulheres Surrealistas no México, ocorreu no Instituto Tomie Ohtake entre 27 de setembro de 2015 e 10 de janeiro de 2016.





Escrito por FAGA

Nenhum comentário:

Postar um comentário